P.O.W
Abril 9th, 2007Que fim levaram os prisioneiros de guerra no fronte oriental? Quantos voltaram para casa e quando? Como eram as condições de trabalho nos campos?
Esse é um assunto pouco explorado e divulgado na literatura da WWII e até recentemente pouco se sabia a respeito do destino dos pobres coitados capturados pelos russos. Já li a respeito em Stalingrado, o Cerco Fatal*, com o drama do cerco ao 6º Exército, a capitulação alemã e o aprisionamento dos soldados e seus oficiais.
Outro livro que detalha muito bem as condições nos campos soviéticos é o excelente Gulag: A history, da Anne Applebaum. O uso dos prisioneiros como força política (os expurgos) e econômica (mão-de-obra) pelo regime soviético foi fundamental no pós-guerra e em menor escala, até o início do anos oitenta(!). Mas tergiverso…
Alguns dados retirados da lista do site Grandes Guerras:
Não é possível, até hoje, saber exatamente quantos alemães haviam dentro do bolsão. Publicações soviéticas usualmente citam 330.000, mas é um número incorreto, já que nem todas as unidades do 6o exército foram cercadas.
Além disso, havia 1.100 membros da Organização Todt (a maior parte alemães, mas também estrangeiros, inclusive belgas). 30 italianos de um parque de transporte, 800-900 croatas do Regimento de Infantaria 369, ligado à 100a Divisão Jäger alemã, cerca de 5.000 romenos, de diversas unidades e um número desconhecido, talvez chegando até a 50.000, de Hiwis (Hilfswillige, soviéticos fazendo trabalhos braçais voluntariamente para os alemães).
A análise dos números disponíveis aponta que havia cerca de 250.000 homens ligados às forças do Eixo no Bolsão. Durante a campanha, a Luftwaffe conseguiu remover cerca de 25.000 soldados (todos alemães, todos feridos). Cerca de 60.000 alemães e 2.000 romenos morreram em combate.
Isso significa que cerca de 110.000 alemães e 3.000 romenos foram feitos prisioneiros. Nada se sabe sobre os Hiwis, mas supões que, sendo colaboradores, foram logo fuzilados como traidores.
As fontes soviéticas falam somente de 91.000 prisioneiros. “Este número não deve receber muito crédito, contudo, pois é sempre citado junto com outra estatística, dizendo da captura de 1.666 tanques no bolsão - um número que é alto demais”.
Dos prisioneiros, cerca de 17.000 morreram na marcha para o oriente.
Pelo final da primavera de 1943, somente de 27.000 a 33.000 ainda estavam vivos nos campos. E por janeiro de 1944, outros 15.000 tinham morrido. Quando os últimos foram soltos em 1955 somente 5.000 tinham voltado do cativeiro.
Apesar do número elevado de mortos, há uma interessante distinção de classe. Dos 5.689 oficiais capturados, 49,2 porcento (2.800) sobreviveram ao cativeiro. Quanto aos praças, somente 13% sobreviveram.
Applebaum cita diversos projetos onde a mão-de-obra desses soldados foi utilizada, e provavelmente onde a maioria acabou morrendo. Eram desde ferrovias (transsiberianas) a canais de milhares de quilometros ligando o norte ao centro do país. O frio e as péssimas condições de trabalho terminaram o serviço.
*Apesar da péssima tradução. Por exemplo, traduziram o apelido da Katiucha “órgãos de Stalin” (era um caminhão com lança foguetes tubulares, o que lembrava velhos órgãos de igreja) para Colhões de Stalin!!!
Março 30th, 2007
Buenas, como ainda não tenho material suficiente pra postar o chapter 1, vou postar alguma coisa relacionada a WWII.
Tirei essas informações da lista de discussão do Grandes Guerras, sobre crimes contra o patrimônio:
O objetivo era (no caso de destruição das estátuas nas cidades ocupadas) simplesmente obter o cobre, já que os maiores produtores do metal ficam fora da Europa (Chile, por exemplo) e o cobre é fundamental para a produção militar, como em cintas de forçamento de granadas e estojos de cartuchos. A falta de cobre foi tão séria na Alemanha que eles tiveram
que usar estojos de cartuchos de aço, para armas portáteis. Funciona, mas não tão bem quanto os de latão. O bronze é uma liga de cobre e estanho, o latão é uma liga de cobre e zinco.
As estátuas que foram removidas de Paris eram para ser destruídas, não porque os alemães fossem particularmente pérfidos (nesse caso específico), mas por causa das necessidades de guerra. É um crime de guerra mas, como coloquei na minha mensagem anterior, um crime menor.
Besteirol: como von Choltiz não destruiu Paris, deve-se também elogiar outros oficiais. Um deles, na Holanda, ao receber a ordem de derreter os canhões de bronze (de carregar pela boca) do museu do Exército Holandês,
se recusou a fazê-lo, para honrar o exército inimigo. Os canhões não foram derretidos, mas sofreram muito com a guerra: o terreno do museu foi campo de batalha contra os ingleses e os canhões ficaram todos marcados de balas e estilhaços (uma pena).
Por falar em crime contra o patrimônio, os Soviéticos ao tomarem Viena, “limparam” o museu do Exército de lá, levando o material para Leningrado. Foi tudo devolvido a pouco tempo.
Essa lista é excelente e tem muito material no site (talvez poste algo por aqui).
Ahoy
Março 29th, 2007Olá. Antes de mais nada, gracias Rico. ![]()
Não sei muito bem ainda qual formato esse blog terá, talvez comece com um AAR (After Action Report) baseado no HoI II - Doomsday e em meio a isso alguns artigos sobre tecnologia e história militar.
A frequência dos posts deverá crescer conforme eu for me familiarizando com a idéia de postar (sim, nunca tive um blog. óóó!!) Mas vamos ao que interessa:
Você não faz idéia de como funciona um AAR? Eis um exemplo.
WTF is HoI II - Doomsday? Here, mate.
O legal de um AAR é que quem acompanha não precisa saber jogar, como o jogo é baseado em fatos reais basta ser um interessado em WWII. Conforme a campanha avança a história evolui baseada nas suas ações, mais adiante pretendo explicar melhor como funciona a dinâmica do jogo, por enquanto vou me ater ao básico.
As batalhas são 50% do jogo, o restante é diplomacia, política e economia. Os objetivos podem variar, em meio aos acontecimentos históricos (começa em 36 e termina em 49) você pode decidir por conquistar territórios, democratizar a Alemanha, tornar a Russia capitalista, ou qualquer outro objetivo envolvendo alguma nação do período.
Minha idéia é, aos poucos, criar capítulos descrevendo o desenrolar da história e ilustrar os principais momentos com cenas reais e in game, pontuar as ações tomadas, os próximos objetivos da campanha, etc. Também haverá espaço para sugestões e dúvidas.

Chineses atacando o Brasil, repare que já existe uma província ocupada pela Alemanha (talvez algum acordo diplomático com o Tio Getúlio).
Obs: Sobre os artigos militares, às vezes aparecem alguns reviews interessantes que valhem a pena ser postados, não se assuste se entre um chapter e outro aparecer um F-22 ou uma H&K. Alguém pode achar que é um bug de calendário do jogo… (dã)