P.O.W

Que fim levaram os prisioneiros de guerra no fronte oriental? Quantos voltaram para casa e quando? Como eram as condições de trabalho nos campos?

Esse é um assunto pouco explorado e divulgado na literatura da WWII e até recentemente pouco se sabia a respeito do destino dos pobres coitados capturados pelos russos. Já li a respeito em Stalingrado, o Cerco Fatal*, com o drama do cerco ao 6º Exército, a capitulação alemã e o aprisionamento dos soldados e seus oficiais.

Outro livro que detalha muito bem as condições nos campos soviéticos é o excelente Gulag: A history, da Anne Applebaum. O uso dos prisioneiros como força política (os expurgos) e econômica (mão-de-obra) pelo regime soviético foi fundamental no pós-guerra e em menor escala, até o início do anos oitenta(!). Mas tergiverso… :)

Alguns dados retirados da lista do site Grandes Guerras:

Não é possível, até hoje, saber exatamente quantos alemães haviam dentro do bolsão. Publicações soviéticas usualmente citam 330.000, mas é um número incorreto, já que nem todas as unidades do 6o exército foram cercadas.

Além disso, havia 1.100 membros da Organização Todt (a maior parte alemães, mas também estrangeiros, inclusive belgas). 30 italianos de um parque de transporte, 800-900 croatas do Regimento de Infantaria 369, ligado à 100a Divisão Jäger alemã, cerca de 5.000 romenos, de diversas unidades e um número desconhecido, talvez chegando até a 50.000, de Hiwis (Hilfswillige, soviéticos fazendo trabalhos braçais voluntariamente para os alemães).

A análise dos números disponíveis aponta que havia cerca de 250.000 homens ligados às forças do Eixo no Bolsão. Durante a campanha, a Luftwaffe conseguiu remover cerca de 25.000 soldados (todos alemães, todos feridos). Cerca de 60.000 alemães e 2.000 romenos morreram em combate.

Isso significa que cerca de 110.000 alemães e 3.000 romenos foram feitos prisioneiros. Nada se sabe sobre os Hiwis, mas supões que, sendo colaboradores, foram logo fuzilados como traidores.

As fontes soviéticas falam somente de 91.000 prisioneiros. “Este número não deve receber muito crédito, contudo, pois é sempre citado junto com outra estatística, dizendo da captura de 1.666 tanques no bolsão - um número que é alto demais”.

Dos prisioneiros, cerca de 17.000 morreram na marcha para o oriente.

Pelo final da primavera de 1943, somente de 27.000 a 33.000 ainda estavam vivos nos campos. E por janeiro de 1944, outros 15.000 tinham morrido. Quando os últimos foram soltos em 1955 somente 5.000 tinham voltado do cativeiro.

Apesar do número elevado de mortos, há uma interessante distinção de classe. Dos 5.689 oficiais capturados, 49,2 porcento (2.800) sobreviveram ao cativeiro. Quanto aos praças, somente 13% sobreviveram.

Applebaum cita diversos projetos onde a mão-de-obra desses soldados foi utilizada, e provavelmente onde a maioria acabou morrendo. Eram desde ferrovias (transsiberianas) a canais de milhares de quilometros ligando o norte ao centro do país. O frio e as péssimas condições de trabalho terminaram o serviço.

*Apesar da péssima tradução. Por exemplo, traduziram o apelido da Katiucha “órgãos de Stalin” (era um caminhão com lança foguetes tubulares, o que lembrava velhos órgãos de igreja) para Colhões de Stalin!!!

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